Maria Mercedes Pereira, ou simplesmente Dona Mercedes, como é conhecida uma das marisqueiras mais experientes da comunidade de Matarandiba, começou a ir para a maré desde muito cedo, acompanhada por Dona Dinalva, com quem morava. Com o passar do tempo, foi se juntando a outras mulheres que
também mariscavam. Entre elas, Dona Gela, uma das homenageadas nesta exposição.
Dona Mercedes sempre relata com alegria que as duas costumavam mariscar, cozinhar e catar os mariscos coletados nas regiões próximas aos mangues e só voltavam para casa à tarde. Foi exatamente da maré que Dona Mercedes proveu o sustento para criar os filhos, os quais, por vezes, também acompanhavam a mãe nas jornadas de mariscagem. Ela sempre enfatiza: “criei meus filhos tudo na maré, todos eles.” E, quando questionada de quem a ensinou a mariscar, ela sempre afirma: “- A minha vida.”
O primeiro marisco que aprendeu a manejar foi a ostra; em seguida, aprendeu, ainda criança, a tirar sururu, lambreta e chumbinho. Em seus relatos de grandes ensinos, ela confessou: “na maré morta, eu tirava ostra. Quando a maré abria, ficava boa, grande, aí eu ia tirar chumbinho, sururu, lambreta, tudo isso”.
Atualmente, aos 83 anos, Dona Mercedes sente no corpo o efeito das décadas de labuta na maré. No entanto, destaca que não viveu à base de remédio, às vezes era um bom banho de folhas que aliviava e, claro, os caldos feitos a partir dos próprios mariscos. Nas palavras da marisqueira: “é por isso que estou aqui ainda”, confessou rindo.

