Dona Angelina Gonçalves Santiago ou Angé, como é carinhosamente conhecida a senhora de 81 anos de uma memória fascinante, nasceu na Ilha de Matarandiba, no antigo sítio da família. Filha da marisqueira Dona Isaura e do Seu Tourinho, ela, por volta dos 12 anos, começou a participar do Terno de Reis, o qual era
organizado por Tia Dina (mestra in memorian). Desse tempo, Angé lembra das cantigas e das roupas coloridas que encantavam os moradores da vila.
Ela está envolvida, desde 2006, no incentivo e na mobilização para o resgate das manifestações culturais da comunidade. Por meio também da contribuição de Angé, em 2008, após 25 anos de interrupção, o Terno de Reis, chamado de Terno das Flores, voltou a desfilar nas ruas de Matarandiba. Os saberes de D. Angelina contribuíram também para o resgate da manifestação do “Zé de Vale”, em 2012, que já tinha 53 anos sem apresentação. Ela é tida ainda como uma guardiã dos cânticos, diálogos e detalhes do teatro popular de rua “Zé de Vale”.
Dentre as suas contribuições, Dona Angelina ajudou na descrição dos modos de vida da comunidade, explicitando como viviam os moradores e moradoras, o que faziam, as brincadeiras de criança em sua infância, os bailes que sempre aconteciam quando das comemorações de aniversários, casamentos, batizados ou mesmo das festas juninas, natalinas, final de ano, e da festa do padroeiro, Nosso Senhor Santo Amaro, como também os casos e causos contados pelos mais antigos.
